A noite escura
Abre portas em sonhos
Do desvairado.
As portas
Sempre as mesmas
Que levam às mesmas salas
Até que chegam
À porta que finda a vida
E difunde estrelas brilhantes
Abraçado com o inimigo.
Oh, sombras do passado,
Que não passam
E se arrastam por cem anos!
Da castanheira atravessa sombrio
Para a reluzente noite.
Vertem-se em flores as estrelas
Todas pequenas e amarelas
Que seu povo observa
Atônito, quando abrem janelas.
E miram tapete que se estende
Para honrar seu fundador.
Oh, morte,
Que sem pena
Acaba o penar,
Mas eterniza!
Porque a vida termina
Quando se inicia a eternidade.
Mas a ela não somos feitos.
E em matéria nos convertemos.
Em engenhoso tempo
Manuscrito por mãos de gavião
E repetidos na cidade de espelhos
Em que espelham seu nome
E sua loucura
Que haveremos de nos lembrar
Muitos anos depois.