terça-feira, 17 de dezembro de 2024

José Arcádio

 A noite escura

Abre portas em sonhos

Do desvairado.

As portas

Sempre as mesmas

Que levam às mesmas salas

Até que chegam

À porta que finda a vida

E difunde estrelas brilhantes

Abraçado com o inimigo.


Oh, sombras do passado,

Que não passam

E se arrastam por cem anos!

Da castanheira atravessa sombrio

Para a reluzente noite.


Vertem-se em flores as estrelas

Todas pequenas e amarelas

Que seu povo observa

Atônito, quando abrem janelas.

E miram tapete que se estende

Para honrar seu fundador.


Oh, morte,

Que sem pena

Acaba o penar,

Mas eterniza!

Porque a vida termina

Quando se inicia a eternidade.

Mas a ela não somos feitos.

E em matéria nos convertemos.

Em engenhoso tempo

Manuscrito por mãos de gavião

E repetidos na cidade de espelhos

Em que espelham seu nome

E sua loucura

Que haveremos de nos lembrar

Muitos anos depois.