Por que insistes em descer
do alto em que te ponho?
Por que depões meu sonho?
Por que esse ar tristonho?
Teimosa criatura!
Enche de amargura
meu mundo de ideias
minha pouco sincera
imagem que fiz austera
minha rima, minha quimera.
Entre coroas, posta
pouca resposta
insana proposta
no que se mostra
no que se imposta
Enlouqueço!
Me entorpece
esse erro todo
Me entorpece
esse ar de nojo
Me entorpece
esse seu despojo
Me entorpece
seu humano jeito
Me entorpece
tanto defeito
Me entorpece
o que fiz, desfeito.
E assim,
quando o chão pisa,
quando meu ser divisa,
quando não me realiza,
quando se humaniza
Faz de minhas palavras
duras flechas!
E ao te ver deposta
ao te ver exposta
tão displicente,
com meu olhar já descrente,
chorando aquilo que sente,
sentindo tanto, que mente,
mulher tão incoerente,
vivendo de maneira errada,
tão deusa, mas tão marcada
ferida e maculada
digo, a acertar-te o peito
com a dureza de uma facada
Este não é o lugar
Para uma deusa coroada!
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