Outrora disse sim
Outrossim, digo novamente
O mesmo sim,
de modo inverso.
O mesmo gesto que une
Acorda o desacordo
Para que acorde nova vida
Para que acorde em novos sonhos
Para que soe novo acorde.
A cor de um sentimento
que se fez cinza
e já não sabe de cor
o lamento,
o intento,
o invento,
o tempo do outro.
Assino o que desfaz
O que refaz, o que apraz
O que retorna,
O que conforma,
O que contorna,
O que torna novo,
Aquele velho ser.
Sem resquícios de mágoas,
O reinício.
O que se faz em laço,
O que se aliançou,
Não mais se fia,
Rompeu-se a fita,
Desfez-se o nós.
Agora, novamente eu,
Um ser inteiramente meu.
Uma só carne
que desencarna,
Para encarnarem novas almas.
De dois
que já não sabem mais
ser par
E que separam
O conjugado,
É tempo passado.
Mais que perfeito
Mas foi desfeito.
Em verso,
coloco o reverso,
em verso, expresso,
em vez do sim,
a hora do não,
que se fez solenemente,
Em verso, estão.
Só não mais são.
Separação.
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