E no picadeiro faz-se a luz!
Surge a estrela,
em vestes de festa,
em noites como esta,
dia a dia,
semana a semana,
ano a ano,
sempre atrás do pano,
sempre o mesmo engano,
quiçá de uma vida.
O que busca é o equilíbrio,
entre tantos instrumentos,
entre tantos lamentos,
entre tanta oscilação.
Os seus amores são seus pratos,
alguns tão baratos,
outros de vidros que duram,
alguns em plástico vil,
e um nobre porcelana.
Todos no alto,
Tomados de assalto,
por esse travesso,
e sua vida ao avesso,
e as suas travessas,
sempre em suspensão.
Corre,arrisca-se,
precisa mantê-las.
No ar,
sem os pés no chão.
Só assim,
distrai-se,
Só assim
compraz-se
Só assim
refaz-se
do que passara.
O lembrança de outrora,
O medo de nova aurora,
A queda que o apavora,
Precisam também do ar.
E lá estão eles,
pratos, pires, travessas,
meninas tão travessas,
que insistem no desequilíbrio
insistem em ameaçar,
insistem em fazer lembrar.
Que o que queda
é ele mesmo,
junto com o seu prato,
junto com seu coração lasso,
junto com aquele baço,
que o primeiro erro deixou.
Queda a cada segundo,
queda e faz-se caco,
revela-se fraco,
revela-se o asco.
Queda a cada queda,
que não realiza,
a cada sonho
que não eterniza,
a cada solo irregular
que não pisa.
Queda e não se resolve
Queda e não absolve
A sua grande culpa,
de no primeiro espetáculo,
sair sem seu aplauso.
Não cata o que sobra,
não sente e não se desdobra.
não vê que público cobra.
não acaba a sua obra.
E segue, absorto,
em fazer do prato morto
seu referencial.
E segue, triste e roto,
com seu estranho retrato,
querendo em todo prato,
farta refeição.
E seu eterno movimento,
transforma-se em triste lamento,
daquela que lá de cima,
a porcelana mais fina,
a porcelana mais fina,
da corda bamba o examina.
Ingênua bailarina!
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