domingo, 20 de janeiro de 2013

Ego

Quero a dor!
Aceito a morte,
Cansei da anestesia,
Da apatia, do molde.
Desejo o açoite,
O ponto final.
O novo parágrafo
O derradeiro gole.
Quero o inesperado,
O nascer do sol,
A surpresa.
Quero perder a hora,
Perder a cabeça,
Perder o medo,
Perder a chave.
Quero o susto,
O porre,
O palavrão,
O orgasmo!
Aceito o escárnio.
Cansei de ser personagem!
Quero o novo,
Faço a passagem,
Volto ao que fui
Me torno nova
Aceito o escuro
Gabarito a prova.
Cansei da mentira
Do olhar sem brilho
Das horas mortas
Das primaveras tortas.
Aceito o frio,
Louco, vadio,
Insone, insano, real.
Aceito a cova do que fui
E que não era eu.
Não quero ser enfeite de museu.
Quero a chegada, quero o cais, quero o porto
Seguro, mas não morto!

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