quarta-feira, 13 de março de 2013

E se eu te contasse?

E se eu te contasse
Sem que eu te matasse
Sem que eu morresse
Sem que eu sorvesse
A toxina do rancor.

E se eu te contasse
Que, de outrora, a meninice
Agora, apenas lembrança
Foi-se o tempo de criança
Veio o tempo da razão

E se eu te contasse
Que no calar das horas mortas
As lembranças me confortam
Ainda que espere muito
Ainda que espere mais

E se eu te contasse
Que a pena já foi paga
A réplica realizada
No sentir suave e sereno
Mas que insiste em bater

E se eu te contasse
E se eu te pedisse
E se eu implorasse
E se eu insistisse
E se eu convencesse

E se eu te contasse
Que o que trago aqui
É amor repentino
Mas nem por isso menino
E por isso peço perdão.

E se eu te contasse
Que os versos daquela hora
Nunca fizeram tanto sentido
Ternura, perdão, de repente,
Olhar estático, doçura dos que aceitam

E se eu te contasse
Que sua voz de profeta
Que sua palavra de poeta
Sempre esteve tão certa.
Só eu não quis enxergar.

E se eu te contasse
Em cada verso raso
Em cada passo dado
Em cada pequeno rastro
Em cada breve pulsar

Mas acontece que não conto
Acontece que não encontro
Jeito, meio, modo, encanto
E assim saber como seria,
Se, um dia, eu te contasse.






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