terça-feira, 19 de março de 2013

José

E se, na profusão
das horas veladas,
te faltasse até mesmo a pergunta?

E se no calar
da chuva fina e tempo frio
te faltasse até mesmo a voz?

E se no dia
do santo que te carrega o nome
te faltasse até mesmo a dor?

O que farias?

O que farias sem a retórica
do poeta, que te questiona?

O que farias sem a marcha
sem as Minas, sem o pranto?

O que farias sem o doce,
sem o açoite, sem o encanto?

O que farias,
nessas vestes de falso santo?

O que farias,
nesse dia de nublar a alma?

O que farias,
se de repente, te faltasse a calma?

O que farias,
se o som se tornasse mudo?

O que farias,
quando visse a derradeira hora?

O que farias,
sem nem mesmo o "e agora"?


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