Hoje é dia 15 de outubro! Data que cresci comemorando, pois sou filha de professor, com muito orgulho! Desde a barriga, vivi em escola. Cresci em escola, em salas de aulas, conversas de sala de professor, comemorações e churrascos,e assim, por osmose, fui aprendendo o meu ofício. Ser professora está enraizado em mim, no meu DNA. E tenho orgulho disso! Amo escola, amo aluno, amo essa gente que ouve, que faz bagunça, que desrespeita, mas que só quer um pouco de atenção! E hoje resolvi escrever, não para falar do meu lado professora, mas para relembrar essas figuras essenciais que passaram pela minha vida, e me ajudaram a forjar essa Lívia de hoje.
Primeiro, tenho que falar da minha primeira professora, que, empiricamente, me ensinou a ler e escrever: minha irmã. Em nossas brincadeiras diárias, ela me ensinava o que aprendia, e assim, eu ia evoluindo sem nem mesmo saber. Aos 3 anos entrei para escola, e minha primeira professora de fato foi Tia Márcia. Quem for ao Sagrado hoje, 27 anos depois, vai encontrá-la lá, no mesmo lugar, a mesma pessoa. Parece que o tempo não passou para ela. Ainda do Sagrado, como não lembrar de Tia Dóris, a alfabetizadora. Lembro que tinha medo daquela cartilha, com as letras associadas a desenhos. A primeira era o "L" e a figura era uma lata. Depois as letras iam sobrepondo-se umas às outras e com facilidade, devorei a cartilha. Ler! Minha primeira conquista importante nessa vida!
Depois vieram o primário e o ginásio. E as coisas das quais mais lembro da escola são os livros, as aulas e professoras de Português. Se me perguntarem sobre meus professores de Ciências, Geografia, Matemática, talvez não lembre de todos, mas as de Português, me lembro de uma a uma, todas mulheres. Sandra, na quinta série, era uma espécie de mãe. Cuidava de todo mundo como filhos. Foi a professora que convenceu mamãe a me deixar ir numa excursão sozinha; Didina, na sexta série, era amiga de mamãe, me conhecia da barriga. Foi ela que me levou a ler "Fernão Capelo Gaivota", história linda, inesquecível; Assunção, na sétima, com suas milhares de frases para análise sintática. Como eu amava essa mecânica, ainda com 13 anos! ; Celma Rosa, na oitava, e as primeiras concordâncias e os primeiros contatos com meus grandes amores gramaticais: as orações do período composto.
No Ensino Médio, tive apenas duas professoras de Língua, que se alternaram nos três anos, entre Português e Literatura. Com elas, aprendi a amadurecer, aprendi como ter professor e amigo, como ser crítica. Com elas, conheci Machado de Assis, Fernando Pessoa, os "ismos" que me acompanhariam para o resto da vida! Obrigada Amanda e Hélida por me fixarem nesse mundo das Letras, por me darem essas raízes! No Rui, outras figuras memoráveis, que não podem ser esquecidas: Babade, Valéria, Carrerete, Carlinhos, Márcia, Valesca, e outros mais. Cada um com seu jeito próprio, mas com algo em comum: o amor! Ali aprendi o que é amar de verdade ser professor! Ali, me convenci de que eu e a escola tínhamos um caso de amor interminável e que esse era meu destino e não tinha mais como fugir.
Fui fazer Letras e aí o encanto se fez de vez. Me entreguei a esse mundo, de corpo e alma. Me deixei levar pela sintaxe, pela Literatura, pelas regras, pelo domínio e fascínio que essa nossa Língua Portuguesa tem. Não dava mais para voltar atrás. Na verdade, já estava ali, intrincado no meu ser, como parte dele, assim como a pele, o sangue e o coração.
Obrigada, professores, por serem quem foram na minha vida! Por cada exemplo, positivo ou negativo. Por cada aula, cada projeto maluco, cada momento sentado naquelas carteiras! Até hoje tenho saudade de ser aluna! Mas tenho orgulho de ser professora! Cansa, desmotiva, é desvalorizado! Mas não me vejo sendo outra coisa. EU SOU PROFESSORA! Assim como sou Lívia, assim como sou clara, assim como sou baixa. Está em mim e é pra sempre!
A todos, um Feliz Dia dos Professores!
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