domingo, 7 de outubro de 2012

Eleições

        Hoje, mais uma vez, o povo vai às urnas para decidir o destino da nossa cidade. Sempre gostei mais das eleições municipais, pois ela nos é mais próxima. Lembro-me de quando era criança e as cédulas ainda eram de papel. Meu pai trabalhava na eleição e eu, minha irmã e os vizinhos ficávamos em frente ao Rui Barbosa até o dia acabar, catando santinhos e brincando. Doce tempo em que a eleição era apenas uma brincadeira!

        Com 16 anos enfrentei uma fila enorme no fórum, que ficava onde hoje é a Prefeitura. Saí de lá com orgulho: meu título de eleitor. As eleições eram presidenciais, em 1998, quando FHC foi reeleito com meu voto. Foi nessa época também que tive a oportunidade de votar em Brizola, que disputava uma vaga ao Senado. Felizmente pude realizar esse voto um dia na minha vida! Cresci em meio a professores, que tinham nele uma espécie de ídolo. E esse crescer em meio a greves e assembleias foi me dando consciência política. Esse crescer em  uma família em que o voto não garante emprego, foi me abrindo os olhos à crítica, a não idolatria, a perceber os caminhos e descaminhos dessa democracia.

             Aos 18 anos, votei pela primeira vez para prefeito. Não me lembro de quem era o candidato na época, mas o meu vereador foi Jânio Mendes. Voto do qual nunca me arrependi. Vereador que realmente soube fazer oposição, ainda que fosse uma voz sozinha. Desde então, meu voto sempre foi de Jânio. Não apenas pela minha simpatia por Brizola e seu partido, mas por ver que alguém era digno de me fazer sair de casa para receber meu voto. Para tudo que ele disputou nos últimos tempos, meus votos foram dele. E lembro que há quatro anos, quando Jânio lutava sozinho, eu dizia à mamãe: "a eleição de Jânio será daqui a quatro anos."

           Passaram-se os anos, muita água passou debaixo da ponte do Canal do Itajuru. E eis aí mais um pleito. Batalha difícil, entre aquele que cresci aprendendo a "odiar" e aquele que cresci admirando. Voto fácil esse? Não. Acho que a candidatura do 12 teve apoios um tanto quanto duvidosos. E não sei se na vida realmente vale tudo para se chegar onde se quer, ainda mais na política. Mas entre o velho, a megalomania, a ditadura, e quiçá, a insanidade, e o novo, a possibilidade de renovação e mudança, fico com a segunda opção.

                De olhos abertos, pois tenho medo de que essas alianças possam trazer consequências, e que talvez os projetos e propostas não consigam ser colocados em prática, por conta do "toma lá, dá cá". Mas algo me diz, dentro de mim, que aquela minha esperança juvenil estava certa. Algo me diz que o menino que minha vó deixava entrar na escola pra vender doces vai ser o melhor prefeito que essa cidade já teve. Pode ser sonho, mas "os sonhos não envelhecem." 

           Não ganho nada com esse apoio, hoje tenho 30 anos e 2 matrículas públicas conquistadas por méritos meus, mais um emprego particular. Mas acho que política não é o que se faz em favor do umbigo e sim pelo melhor para todos. E, para mim, o melhor para todos, definitivamente não é quem teve 14 anos para fazer e não o fez. Não é quem tem a ficha mais suja do que um pau de galinheiro. Pode ser que eu me engane, e tenha uma grande decepção, mas prefiro apostar no novo.

             Hoje à noite, quando soubermos o resultado, uns vão chorar e outros, comemorar. Para mim, pessoalmente, nada muda. Meu emprego, minha casa, minha vida não dependem desse desfecho. Mas espero que quem possa sorrir seja a população cabo-friense durante os próximos quatro anos!

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