quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Toda quarta, graças ao futebol, mudo de canal assim que acaba a novela. Ontem, tive o prazer de assistir ao programa do Pr. Fábio de Melo, na TV Canção Nova. Como é bonito tudo o que ele fala, cheio de realismo, de pé no chão, diferente do que muita gente pensa que pode dizer um padre. E ontem ele falava sobre como hoje em dia as pessoas se deprimem e atribuiu ao fato de hoje termos muitas possibilidades de escolha. Disse ainda que, antigamente, as pessoas tinham menos e viviam melhor, pois aproveitavam as coisas mais simples da vida. E que quanto mais temos, vamos ficando mais pobres em termos de relações, de cultura, de contato.

Fiquei pensando que isso realmente é uma verdade. Minha avó, por exemplo, tinha minha idade há mais ou menos 50 anos. Deve ter cursado apenas o Ensino Fundamental.  Mas sabe falar corretamente, escreve sem erros, diferente de muitos graduados que temos aí. Vovó não ouvia essas músicas de hoje, que nada acrescentam em temos de letra e poesia. Vovó ouvia música boa, lia nomes da Literatura nos jornais. E isso enriquece a alma! Uma boa música, um bom livro, hábitos simples enriquecem qualquer espírito!

E lembrar de Vovó é lembrar um pouco de mim. É lembrar das brincadeiras na praça da Gamboa com meus primos, do futebol de lata, do bote no Canal, da "bicha que não pega", de catar guando no pé, de subir na goiabeira. E não há nada no mundo melhor que a casa de vó, que a comida de vó, que descansar na cama da vó, que sentar e escutar as histórias antigas, e ainda ouvir, ao fim delas, a inocente pergunta: "você lembra?"

Não Vó, eu não me lembro das suas histórias! Mas guardo cada momento que passei com você, cada coisa boa que ouço, cada detalhe para um dia perpetuar essa história. Que bom que esse texto mudou seu rumo original e acabou virando uma homenagem! Assim que acabar de escrevê-lo, posso imprimi-lo e dar a vovó como forma de agradecimento, ainda em vida. 

Obrigada por fazer o melhor feijão do mundo, por nos ensinar  a gostar de carne seca com maxixe, pelos domingos de churrasco e almoço em sua casa, por nossas conversas longas na mesa de café, pela preocupação com o meu almoço, por sempre cuidar de tudo e todos e ser a última a sentar à mesa, por ser Dona Irene, Tia Irene, Tia Dete, Mãe, Vó e Bisa! Obrigada pelos banhos de tanque, pelo mesmo nome nos  bichos,por me deixar catar acerola no pé, por suas histórias engraçadas, pela sua força que transborda, pelo seu exemplo de mãe e mulher, por nos ensinar que podemos carregar nossas cruzes com alegria e força. Obrigada por cada palavra que me diz, e que me faz ter certeza de que tudo pode dar certo. Só quem é "Ramos" entende o sentido de cada uma dessas coisas! Obrigada, Deus, por permitir que eu tivesse esse exemplo!

Por fim, agradeço ainda por minha filha ainda poder conviver com ela. Porque ter vó é bom, mas Bisa é  melhor ainda! E ainda bem que Malu tem Bisa, e ela é o maior barato!

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