Pode a borboleta
verter-se em casulo?
Fechar as asas,
tornar-se cinza,
Sem cor, sem luz, sem voo?
Espremida, sem vida,
Sua essência banida,
simplesmente,
Em não ser.
Parada, congelada,
fadada ao nada.
O casulo cerrado,
O trânsito engarrafado,
O sinal fechado.
O tom manchado,
Por um viver calado.
Sem voz,
sem luz,
sem movimento.
Essa trama a prende,
Sufoca, mastiga,
Quer sair, quer vida!
E, assim,
sem perceber,
fio a fio,
a casca se desfaz
em nuvem.
evapora.
E ela,
que pusera tudo
que vivera o mudo,
em um grito agudo,
revela em desnudo,
o que não lhe abriga.
Pode a borboleta
ser um casulo?
os minutos correram
os invernos passaram
o interstício,
o vício,
o reinício.
em um relance,
se lança.
E assim, asa por asa,
Volta ao voo,
ainda que lenta,
de volta pra Casa.
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