Que bicho é esse
que me consome?
Não tem forma,
não tem nome
Será azia,
Melancolia,
Nostalgia.
Será o medo,
e seus mil enredos,
será segredo,
é tarde ou cedo?
Por que não vejo?
Alguém debocha,
Ri, gargalha,
Me mostra na cara
Me fere a navalha.
A inevitável hora aproxima.
Quero colo!
Mas é justamente ele
que me está sendo levado,
será velado,
sacramentado,
lacrado.
E eu?
E o bicho?
Como acabar?
Como findar?
Como me fincar?
Como me sustentar?
Como não quedar?
Sem a mão amiga,
sem a tarde quente.
sem o gosto aparente,
dessa vida remida.
Que insiste na ida.
que anuncia partida
se vá, minha querida!
Me deixe aqui,
Com o pulso forte,
com horror da morte,
com o fim do norte,
com seu "-juízo!",
que tanto preciso.
com o amargo,o estrago,
o podre, o perene
me deixe surdo o ouvido,
nesse dia temido.
Ficamos eu,
e as lembranças,
as esperanças,
as imagens de criança,
a vida e sua dança,
a dor e sua lança,
as folhas de um longo outono,
a embriaguez, o sono
a conta que nunca abono,
o luxo e seu inevitável lixo.
Ficamos eu, e o bicho!
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