O que trago é apenas um trago,
Aprisionado, entalado, enlatado,
Em latidos e grunhidos que não grito
Em contas que não cobro,
Nos joelhos que não dobro.
A sensação estanque de que o tempo
Ora tange, ora range
Ora para.
Contemplo a ressaca.
O que ela revira é a minha ira,
Minha ferida exposta,
É aquilo que a
plateia gosta.
Meu riso, meus batons, meus perfumes,
Agora desbotam em cima da estante.
E é assim que me contemplam.
Assim que me veneram
Assim que me esperam.
Enquanto a onda leva
Meu sopro de esperança.
Enquanto fico aqui,
Nesse meu eterno vício
Em “meu pouco de
desperdício”,
Tentando um reinício,
Que gira feito elipse
E sempre volta.
Por uma estrada torta,
Onde, repousa, morta,
O que nem sei dizer.
Porque o que trago,
É apenas esse trago,
É apenas o estrago,
Dos cigarros que não fumo,
Dos caminhos que não rumo
Dos amores que não consumo
Do barco e sua falta de prumo.
Da vida que não resumo,
Na palavra que não mais rima.
Nenhum comentário:
Postar um comentário