Deve haver um lindo lugar
Onde dormem as rainhas
Onde repousam de seu pouso
Do voo de volta à sua glória.
Deve haver um leito manso,
Onde dormem as rainhas
Pronto para tal descanso,
Justo e tão esperado.
Não essas que em ouro se banham,
Mas aquelas, rainhas de suas vidas,
de histórias tão sofridas,
de mãos calejadas,
de lenços que se fazem em coroa.
Essas rainhas anciãs,
que nada mais anseiam,
senhoras do tempo e de quintais,
de quaradouros e varais,
que dão comidas aos animais,
que colhem guando e plantam bananais.
Rainhas de vida e morte,
vivem o destino e sua sorte,
são braços e coração fortes,
são bússolas, indicam o norte.
Ah! Esse lugar existe,
Onde sentam e descansam,
trocam receitas e proseiam,
fazem poemas em sábio conselhos,
comem broa e café,
Onde mantêm-se de pé,
apesar dos ombros cansados.
Lugar de quermesses e fogueiras,
de cigarros de palha, seresta,
lugar de alegria e festa
ao lado do Rei dos reis
De onde ditam as leis
Das lavanderias e das cozinhas,
Das camas prontas e arrumadas,
da roupa limpa e passada,
da vida e sua toada.
Lugar de remanso e águas claras
Lugar de rezar ladainhas
Lugar de bordados e linhas
Lugar de coloridas florezinhas
Onde dormem as rainhas.
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