Atravessas no bonde.
Vais pra onde?
Com seu jeito casmurro
Sua cara torcida
Sua visão de vida
Só caminho de ida
Que já não tem mais volta.
O menino está morto!
O caminho foi torto,
E segues, absorto
Em lembranças difusas,
Confusas, fundidas
Num mundo de idas.
Não voltas
Pois a sua guia, sua bússola
Encontra-se enterrada,
Rasgada, mal falada
na língua ferina do povo.
A fruta na semente
O capítulo aparente
A menina irreverente
Seu ciúme inconsequente.
A dor da viúva latente.
A flecha no peito ardente.
O que sentes?
Agora, mais nada
Vives de fachada,
Numa casa marcada
Reconstruída em vão.
E a sua cigana,
Poetisa e profana,
Ingênua, insana
Foi-se na ressaca
Foi-se na onda vaga.
Foi-se o olhar que atraia.
Será que esse mesmo traia?
Ou seria pura ironia?
Ou será dura tirania?
Ninguém sabia.
Ninguém saberá!
O que sabe um sentimento ferido?
O que pensa um louco varrido?
O que pode um menino fingido?
O que vive um padre banido?
O que dizes é vão,
O que sentes, então?
O que narras é o não!
E esse meu verso breve
é apenas um desejo
De que a terra lhe seja leve!
"Saí enluarado
ResponderExcluirde tua poesia excelente
tão excelente
que continuo enluarado"
João Cândido de Carvalho